domingo, 27 de abril de 2014

“Motorhome à brasileira”


Veículo “hatch” serve de casa para casal, que vive nas ruas faz dois meses.




Por Geane Corseiro e Marcus Vinícius Garcia

Um Peugeot 106 Soleil, vermelho, quatro portas, ano 1998, importado da França, em bom estado, pneus praticamente novos, sem calotas, vidros escuros – aliás, hoje em dia não dá para andar nas ruas com o carro sem o insufilm –, motor 1.0, gasolina, com um design que proporciona ao carro um ar esportivo e sofisticado para a época.

Parece até um anúncio de venda do veículo, se ele fosse somente um meio de transporte, mas no caso este automóvel era servido como casa.

Um casal morava há alguns meses dentro deste carro na Rua Quipá, esquina com a Estrada do Campo Limpo, no Jardim Umarizal. Em fevereiro deste ano, o Peugeot vermelho, com placas de Taboão da Serra, estacionou no local e de lá não saiu mais.

Segundo relatos de moradores, a dupla não falava com ninguém e não aceitava ajuda. O homem saia de “casa” pela manhã para trabalhar e voltava ao veículo somente para dormir. Já a mulher, grávida de sete meses, permanecia no carro em meio as roupas, calçados, cobertores, caixas e outros objetos deles.

Uma comerciante, que não quis se identificar, disse que tentou oferecer ajuda aos moradores do Peugeot, mas ouviu a recusa de ambos, que se alimentava num restaurante próximo. Faziam as necessidades e tomavam banho num posto de gasolina localizado na esquina da Rua Quipá.

“A Prefeitura ofereceu ajuda, para eles saírem de lá (do carro), mas eles não aceitaram”, disse. A entrevistada, inclusive, revelou que já presenciou discussões ríspidas entre eles, possivelmente com agressões. Tudo no meio da rua.

A polícia também foi informada sobre a situação dos dois, mas o veículo permaneceu lá porque não tinha bateria para deixar o local.

Na madrugada de terça-feira, dia 08, o carro foi atacado por um grupo não identificado, conforme relato da comerciante: “Ás quatro horas da manhã estava dormindo e levei um susto. Pensei que estavam derrubando a casa, mas era lá fora.”

O veículo amanheceu depredado, com todos os vidros quebrados. O casal, que provavelmente estava dormindo, abandonaram o local. Seus objetos pessoais, roupas, cobertores ficaram á mostra, tudo jogado, amontoado, sendo saqueados por alguns populares.





O Peugeot 106 Soleil, estava com a situação legal junto ao DETRAN. Segundo relatos, o proprietário do carro estava interessado em vendê-lo.


Mais tarde, o carro foi incendiado, e o casal não foi mais visto no bairro. Hoje ao andar na rua, é possível se deparar com a carcaça do automóvel, que um dia servia de lar. O Peugeot vermelho, está completamente destruído. Atualmente serve como depósito de lixo, onde pode ser encontrada sacolas de supermercados, garrafas de plástico e latas de cerveja, mas ainda segue a sua sina, servindo como lar para animais que estavam ao relento.

Durante o dia, o carro foi incendiado por grupo não identificado - Foto: Marcus Vinícius Garcia

Lembrando que a Rua Quipá, se tornou um cemitério de veículos abandonados e incendiados. O Peugeot não foi o primeiro caso relatado pelos moradores do bairro. No ano passado, um Monza ano 93, foi abandonado no mesmo lugar por aproximadamente um mês, sendo posteriormente incendiado e semanas mais tarde sendo recolhido por uma camionete, de um ferro velho, no sábado após a sexta-feira santa.


Fotos: Marcus Vinícius Garcia



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