Zoológico
em Taboão da Serra sofre com abandono e descaso
Por Equipe Fórum Comunitário*
O Parque das Hortênsias, localizado na cidade de Taboão da
Serra, região metropolitana de São Paulo (17 km do centro da capital paulista),
é um dos principais centros de lazer na cidade, com muito verde e várias
espécies da fauna brasileira. Faz parte dos, aproximadamente, 35 zoológicos em
todo o estado, de acordo com a Sociedade Paulista de Zoológicos – SPZ. O parque
vem sofrendo muitas dificuldades, sendo alvo de críticas e denúncias de
abandono, e maus-tratos aos animais.
Fundado em 14 de fevereiro de 1978, pelo o então prefeito
Armando Andrade, o parque, com 48 mil m² de área, nasceu sob muita desconfiança
por parte da população. Próximo à sede da Prefeitura Municipal, na Praça Miguel
Ortega, o local tinha uma topografia acidentada e praticamente abandonada,
servindo como depósito de lixo e cocheira por um morador que vivia nas
proximidades.
Durante a construção, a equipe de obras e engenharia da
Prefeitura realizou a terraplanagem e limpeza para a construção de alamedas,
sarjetas, sanitários, muros de fecho. Ao mesmo tempo, foram projetados pelos
engenheiros os ambientes internos para os animais que chegariam ao parque, um
lago, um pórtico de entrada e espaços para o caseiro e para a administração.
Foram plantadas mais de mil mudas de árvores e cinco mil mudas de hortênsias,
vindas das Serras Gaúchas, que acabou originando o nome do parque.
Os anos passaram e o parque parece que foi deixado de
lado. As três últimas gestões do município não deram muita atenção para as
necessidades do local, se tornando alvo de inúmeras denúncias de abandono, má
conservação em jaulas, alamedas e maus-tratos aos animais. Alguns deles foram
sofrendo com doenças e morrendo.
Em 2013, num intervalo de quatro meses, três felinos (um
tigre, um leão e uma jaguatirica) morreram de forma misteriosa. Segundo laudo
apresentado pelo biólogo do Parque Rodrigo Xavier, o tigre Zetti morreu por
causa de problemas renais, os outros dois animais (o leão Zulu e a jaguatirica
macho Lippy) chegaram a óbito por já estarem velhos.
“Na verdade isso é oportuno. Nosso plantel é senil, os
animais já são bem velhinhos. Eles falecem e não são repostos”, defende.
O “Zoológico da Morte” (nome dado em alusão ao zoológico
de Surabaya, na Indonésia, que também vem sofrendo com seguidos casos de mortes
de animais, no último ano) vem sendo alvo de denúncias dos frequentadores, e
críticas por parte da mídia. A Revista Veja SP e o Portal G1 publicaram
reportagens sobre a crise que vive o parque, a falta de alimentos para os
animais e a má conservação das instalações. O biólogo rebate, contrariando as
publicações: “O parque está passando por reformas, irá passar por adequações.
Nós temos problemas estruturais, mas não tem crise nenhuma.”
A situação atual do parque é realmente lamentável, a
equipe de reportagem visitou o local e constatou que zoológico necessita de
reformas e que atualmente não tem condição de abrigar animais silvestres, e de
grande porte.
A situação estrutural é ruim: jaulas remendadas, limpeza e
manutenção precárias, área social para receber excursões escolares depredados.
A imagem que o parque transmite aos visitantes é de abandono.
A equipe conversou com um funcionário que não quis ser
identificado com medo de perder o emprego. O mesmo nos relatou que os animais
não são maltratados e nos mostrou um vídeo onde ele fazia carinho e interagia
com a leoa Helga – o único felino de grande porte ainda vivo no parque. E
desabafou:
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| Jaulas vazias e com péssimas condições, mostra o cenário de abandono no parque. |
“Existem alguns movimentos que querem
que estes animais sejam transferidos para ONGs, eu não acho justo. Estamos
falando de animais senis, que têm hábitos alimentares e comportamentais que só
nós conhecemos. Estes movimentos querem tirar os animais daqui, mais se isto
acontecer estes bichos irão morrer”.
De acordo com Xavier, o projeto para reforma do parque
está em fase de aprovação, desde o início do ano, após a série de denúncias
dadas pela mídia. Depois de encerrada esta fase, a prefeitura de Taboão da
Serra tem o prazo de 24 meses para executar a reforma.
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| Placas indicando que o parque passa por reformas |
Ambientalistas protestam contra a Prefeitura
Em contrapartida, o movimento “Salve Parque das
Hortênsias”, formado por moradores do bairro, afirma que o abandono do
zoológico é oportuno para a administração atual e relata que a postura se deve
a uma possível especulação imobiliária para o terreno onde atualmente funciona
o Parque.
Um morador engajado na causa para salvar o Parque, que não
quis se identificar que com medo de represálias, diz que os habitantes de
Taboão da Serra, e mais um grupo de ativistas têm o conhecimento de que a
prefeitura quer despachar os animais do Parque das Hortênsias para outros zoos
ou ONGs, para que o terreno seja desocupado para a construção de
empreendimentos imobiliários.
O movimento criou uma página na rede social Facebook,
(https://m.facebook.com/profile.php?id=271399042995217) para divulgar
informações sobre os protestos que são realizados pelos ativistas e protetores
da causa animal, além de publicarem algumas fotos sobre as condições dos bichos
que ali vivem.
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| Página do Facebook revela denúncias contra a Prefeitura de Taboão da Serra, apontando os problemas no parque. |
O administrador da página do movimento “Salve o Parque das
Hortênsias”, que também não quis se identificar com medo de represálias, e que
aceitou ceder uma entrevista via chat do Facebook, destaca também sobre a
questão da especulação imobiliária como ponto importante na discussão da
manutenção do espaço:
“O zoológico
já foi muito bem administrado com os máximos de cuidado possíveis, já hoje o
prefeito Fernando Fernandes quer acabar com o zoológico, mas de forma inesperada
(...) ele quer que os animais morram por motivo de descuidado com os animais,
ou seja, até não sobrar um animal, arranjar uma desculpa e fazer suas intenções
imobiliárias lá.” Além disso, o escritor da página nos conta que nenhum
documento sobre a transferência dos animais para outros zoológicos ou ONGs foi
apresentado à população.
Diante das denuncias de descaso e abondo do Parque das
Hortênsias, o deputado Ricardo Tripoli, coordenador do Grupo de Trabalho de
Fauna da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, visitou o
local, no dia 16 de janeiro deste ano, e deu a seguinte declaração:
[...] Como Deputado Federal, nosso papel é fiscalizar,
nos fazermos presentes e atentos e obter um compromisso político do município,
em adequar os espaços e salvaguardar os animais, para dar respaldo às
reivindicações do Movimento de Proteção Animal. Percebemos também que coibir a
intervenção dos visitantes e o incômodo causado em função de qualquer
comportamento, como gritos, arremesso de objetos, etc, faz-se necessário e deve
ser agregado à lista de correções a serem estudadas e viabilizadas, e que
comporão o relatório técnico que esta sendo elaborado. [...] Sentimos que o Município
está preocupado com a repercussão negativa do episódio. É o momento de exigir e
auxiliar tecnicamente modificações na forma de condução de manutenção do local,
se isto for considerado possível. O vice-prefeito, atual Secretário de Turismo
e responsável pelo Parque, como foi recém-empossado na função, ainda está se
inteirando dos problemas, todavia intenciona realizar uma consulta pública para
discutir a vocação do Parque. [...]
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Taboão
da Serra, em 4 de abril, para que algum responsável se pronunciasse sobre o
caso. Fomos atendidos pela assessora de imprensa do vice-prefeito do município,
Vera Rodrigues, que solicitou um e-mail com a pauta para que fosse agendada a
entrevista com secretário de cultura, mas até a data que foi proposta a
realização de uma entrevista, não tivemos resposta.
ONDE FICA
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SERVIÇOS
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SOBRE O FUNDADOR DO PARQUE
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O Parque das Hortênsias está localizado na Praça
Prefeito Oswaldo Cesário de Oliveira, 500, Parque Assunção, Taboão da Serra.
Próximo à Prefeitura Municipal. Fone: (11) 4787-3791.
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O zoológico fica disponível para visitação de segunda á
domingo, inclusive nos feriados, das 9h às 16h30. Entrada gratuita e com
estacionamento (também gratuito), para aproximadamente 100 veículos.
Para chegar até o zoo de ônibus, existem cinco linhas
circulares pela cidade e partindo do Parque até o Metrô Campo Limpo.
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Armando Andrade, dirigiu a cidade de Taboão da Serra em
dois mandatos (1977-1981 e 1989-1992), e mantinha um blog no portal “O
Taboanense”, contando histórias da cidade, inclusive denunciando a situação
atual do parque. Lutou desde 2004 contra um câncer no abdômen, falecendo em
março de 2013, aos 73 anos. Seu corpo foi cremado e as cinzas depositadas no
Parque das Hortênsias.
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*Colaboraram nesta reportagem: Geane Corseiro, Natalia Teles, Marcus Vinícius Garcia, Bruna
Farias e Pethalla Karime Brito. Fotos: Marcus Vinícius Garcia