sábado, 29 de novembro de 2014

Sabado de incêndios

Hoje pela manhã dois ônibus foram incendiados na Zona Sul de São Paulo

Os coletivos foram incendiados proximos ao Capão Redondo, por volta das 7h da manhã, um no bairro Jd Magdalena, e outro no Pq. do Engenho. 

Testemunhas contaram que os criminosos pararam o veículo, e mandaram todos descer, pouco depois das vitimas descerem foi ateado fogo ao ônibus da linha 6820-10 (Terminal Capelinha - Jd das Rosas). 

No local havia muitas pessoas passando mal, por conta dos acontecimetos. E segundo algumas informações de pessoas presentes durante a fuga os vandalos fizeram uma barreira com sacos de lixo em uma rua proxima e colocaram fogo nos sacos para dificultar a passagem da policia.

Segundo moradores e motoristas que trabalham na região, o motivo do crime seria um protesto contra o assassinato de um jovem.

Até o momento os onibus que passam pelos bairros não estão cumprindo todo o tragéto do intinerario.






As fotos foram enviadas por e-mail pelo estudante Carlos Henrique.


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domingo, 27 de abril de 2014

Transtorno no Transporte Público

No dia 26 de março de 2014, às 12h45, fui ao Terminal Campo Limpo, na grande São Paulo, pela primeira vez. Meu objetivo era retratar um pouco do que passam os milhares de usuários do transporte público na região, mais precisamente os ônibus. Como presenciei tudo em um horário teoricamente tranquilo, pude imaginar o que acontece nas linhas que atendem a Campo Limpo, Taboão da Serra, Capão Redondo, Vila Sônia, Vila Andrade e Jardim São Luís, bairros principais da zona sul de São Paulo.

Foto: Bruna Farias

O trajeto até o Terminal Campo Limpo 


Para ir até o Terminal Campo Limpo peguei o ônibus de número 8700/10, que estava vindo da Praça Ramos, em um dos primeiros pontos da Francisco Morato. Pude perceber o enorme fluxo de ônibus com destino ao Terminal. Contei três em quatro minutos. Subi no quarto ônibus que passou. Até o meu destino final foram 35 minutos. Trajeto sem maiores problemas, tirando o trânsito que se estendia do Extra do Taboão da Serra até o local final. Ônibus cheio, mas não lotado. Fui em pé.


Caminho entre o Terminal Campo Limpo e a Aclimação 

Durante uma hora de vinte e cinco minutos fiz o trajeto no ônibus 857R/10 entre o Terminal Campo Limpo até a Aclimação. O horário, 12h45, não é considerado um horário de pico, onde a cidade fica praticamente intransitável mesmo com os corredores, mas o movimento era grande. Ao sair do Terminal, o ônibus não estava lotado. Esperei cinco minutos para que ele chegasse, e mais 10 para que ele saísse rumo a Aclimação. Ao longo do trajeto veio a lotação. Empurra-empurra, pessoas em pé, calor, todo aquele desconforto que muitos de nós, que usamos o transporte público, já estamos, infelizmente, acostumados. Antes da parada no Shopping Eldorado, a alguns kms do ponto inicial, já era difícil se mexer ali dentro. Vale lembrar que a parada do Eldorado é uma das mais lotadas a partir das 16h. Naquele ponto presenciei um enorme aglomerado de pessoas tomando o sentido contrário do meu, ou seja, pegando justamente para o Terminal Campo Limpo.

Foto: Bruna Farias

Chegando ao destino final percebi que muitas pessoas que vieram desde o Terminal já haviam descido. O ônibus chegou praticamente vazio, às 14h10. Em outra ocasião, no dia 7 de abril, às 18h30, horário considerado como rush, uma de nossas colaboradoras, Pethalla, presenciou outro problema: a superlotação dos ônibus. Muitas pessoas entravam pela porta de trás, como mostra essa foto feita por ela.

Foto: Pethalla Brito
Em outro dia, pela manhã do dia 3 de abril, muitas pessoas desceram de seus ônibus para irem andando até o seu destino, graças ao trânsito. Inclusive ela, que teve que seguir até a Av. Morumbi a pé.

Foto: Pethalla Brito

A região do Campo Limpo 


O Campo Limpo faz divisa com os distritos de Vila Sônia, Vila Andrade, Jardim São Luís, e Capão Redondo e com o município de Taboão da Serra através do Córrego Pirajuçara. Hoje, o Terminal Campo conta com linhas diárias saindo para Pinheiros, Hospital das Clínicas, Praça Ramos de Azevedo, Aclimação, Jardim Helga, Jardim Guarujá, Jardim Rosana, Jardim das Rosas, Parque do Engenho, Jardim Maria Sampaio, Jardim Macedônia, Valo Velho, Metrô Conceição (permitindo acesso à respectiva estação), Shopping Morumbi (com acesso à estação da CPTM), Parque do Lago, Jardim Mitsutani, Inocoop Campo Limpo, Campo Limpo (Jardim Leônidas), Terminal Capelinha, Metrô Santa Cruz (dando acesso à estação) Metrô Paraíso (com acesso à respectiva estação), Terminal Bandeira e Terminal Santo Amaro (esses dois últimos dando acesso à Estação Anhangabaú e Estação Largo Treze do Metrô de São Paulo, respectivamente).


Conclusão 


Como não moro no local, alguns detalhes podem ter passado despercebidos por mim. No entanto, como moradora de outra região muito movimentada de São Paulo, na zona oeste, no Jardim João XXIII, posso dizer que tudo o que presenciei lembra muito o meu bairro. Ônibus lotado, população que depende apenas do transporte público para se locomover, motoristas que desrespeitam quem está em pé, muitas vezes com manobras desnecessárias, jogando os passageiros de um lado a outro. Não cheguei a pegar o ônibus no horário de pico, mas imagino que o caos deve ser imensamente maior, como um cobrador me relatou, onde afirmou que “a situação piora quando dá 18h”. Mesmo com corredores, o trânsito na região é muito caótico. Há uma estação de metrô prestes a ser inaugurada, a Vila Sônia, da linha amarela, o que pode agravar ainda mais a situação.

“Motorhome à brasileira”


Veículo “hatch” serve de casa para casal, que vive nas ruas faz dois meses.




Por Geane Corseiro e Marcus Vinícius Garcia

Um Peugeot 106 Soleil, vermelho, quatro portas, ano 1998, importado da França, em bom estado, pneus praticamente novos, sem calotas, vidros escuros – aliás, hoje em dia não dá para andar nas ruas com o carro sem o insufilm –, motor 1.0, gasolina, com um design que proporciona ao carro um ar esportivo e sofisticado para a época.

Parece até um anúncio de venda do veículo, se ele fosse somente um meio de transporte, mas no caso este automóvel era servido como casa.

Um casal morava há alguns meses dentro deste carro na Rua Quipá, esquina com a Estrada do Campo Limpo, no Jardim Umarizal. Em fevereiro deste ano, o Peugeot vermelho, com placas de Taboão da Serra, estacionou no local e de lá não saiu mais.

Segundo relatos de moradores, a dupla não falava com ninguém e não aceitava ajuda. O homem saia de “casa” pela manhã para trabalhar e voltava ao veículo somente para dormir. Já a mulher, grávida de sete meses, permanecia no carro em meio as roupas, calçados, cobertores, caixas e outros objetos deles.

Uma comerciante, que não quis se identificar, disse que tentou oferecer ajuda aos moradores do Peugeot, mas ouviu a recusa de ambos, que se alimentava num restaurante próximo. Faziam as necessidades e tomavam banho num posto de gasolina localizado na esquina da Rua Quipá.

“A Prefeitura ofereceu ajuda, para eles saírem de lá (do carro), mas eles não aceitaram”, disse. A entrevistada, inclusive, revelou que já presenciou discussões ríspidas entre eles, possivelmente com agressões. Tudo no meio da rua.

A polícia também foi informada sobre a situação dos dois, mas o veículo permaneceu lá porque não tinha bateria para deixar o local.

Na madrugada de terça-feira, dia 08, o carro foi atacado por um grupo não identificado, conforme relato da comerciante: “Ás quatro horas da manhã estava dormindo e levei um susto. Pensei que estavam derrubando a casa, mas era lá fora.”

O veículo amanheceu depredado, com todos os vidros quebrados. O casal, que provavelmente estava dormindo, abandonaram o local. Seus objetos pessoais, roupas, cobertores ficaram á mostra, tudo jogado, amontoado, sendo saqueados por alguns populares.





O Peugeot 106 Soleil, estava com a situação legal junto ao DETRAN. Segundo relatos, o proprietário do carro estava interessado em vendê-lo.


Mais tarde, o carro foi incendiado, e o casal não foi mais visto no bairro. Hoje ao andar na rua, é possível se deparar com a carcaça do automóvel, que um dia servia de lar. O Peugeot vermelho, está completamente destruído. Atualmente serve como depósito de lixo, onde pode ser encontrada sacolas de supermercados, garrafas de plástico e latas de cerveja, mas ainda segue a sua sina, servindo como lar para animais que estavam ao relento.

Durante o dia, o carro foi incendiado por grupo não identificado - Foto: Marcus Vinícius Garcia

Lembrando que a Rua Quipá, se tornou um cemitério de veículos abandonados e incendiados. O Peugeot não foi o primeiro caso relatado pelos moradores do bairro. No ano passado, um Monza ano 93, foi abandonado no mesmo lugar por aproximadamente um mês, sendo posteriormente incendiado e semanas mais tarde sendo recolhido por uma camionete, de um ferro velho, no sábado após a sexta-feira santa.


Fotos: Marcus Vinícius Garcia



Abandono planejado: conheça a história do Parque das Hortênsias


Zoológico em Taboão da Serra sofre com abandono e descaso

Por Equipe Fórum Comunitário*




O Parque das Hortênsias, localizado na cidade de Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo (17 km do centro da capital paulista), é um dos principais centros de lazer na cidade, com muito verde e várias espécies da fauna brasileira. Faz parte dos, aproximadamente, 35 zoológicos em todo o estado, de acordo com a Sociedade Paulista de Zoológicos – SPZ. O parque vem sofrendo muitas dificuldades, sendo alvo de críticas e denúncias de abandono, e maus-tratos aos animais.

Fundado em 14 de fevereiro de 1978, pelo o então prefeito Armando Andrade, o parque, com 48 mil m² de área, nasceu sob muita desconfiança por parte da população. Próximo à sede da Prefeitura Municipal, na Praça Miguel Ortega, o local tinha uma topografia acidentada e praticamente abandonada, servindo como depósito de lixo e cocheira por um morador que vivia nas proximidades.

Durante a construção, a equipe de obras e engenharia da Prefeitura realizou a terraplanagem e limpeza para a construção de alamedas, sarjetas, sanitários, muros de fecho. Ao mesmo tempo, foram projetados pelos engenheiros os ambientes internos para os animais que chegariam ao parque, um lago, um pórtico de entrada e espaços para o caseiro e para a administração. Foram plantadas mais de mil mudas de árvores e cinco mil mudas de hortênsias, vindas das Serras Gaúchas, que acabou originando o nome do parque.

Os anos passaram e o parque parece que foi deixado de lado. As três últimas gestões do município não deram muita atenção para as necessidades do local, se tornando alvo de inúmeras denúncias de abandono, má conservação em jaulas, alamedas e maus-tratos aos animais. Alguns deles foram sofrendo com doenças e morrendo.

Em 2013, num intervalo de quatro meses, três felinos (um tigre, um leão e uma jaguatirica) morreram de forma misteriosa. Segundo laudo apresentado pelo biólogo do Parque Rodrigo Xavier, o tigre Zetti morreu por causa de problemas renais, os outros dois animais (o leão Zulu e a jaguatirica macho Lippy) chegaram a óbito por já estarem velhos.

“Na verdade isso é oportuno. Nosso plantel é senil, os animais já são bem velhinhos. Eles falecem e não são repostos”, defende.

O “Zoológico da Morte” (nome dado em alusão ao zoológico de Surabaya, na Indonésia, que também vem sofrendo com seguidos casos de mortes de animais, no último ano) vem sendo alvo de denúncias dos frequentadores, e críticas por parte da mídia. A Revista Veja SP e o Portal G1 publicaram reportagens sobre a crise que vive o parque, a falta de alimentos para os animais e a má conservação das instalações. O biólogo rebate, contrariando as publicações: “O parque está passando por reformas, irá passar por adequações. Nós temos problemas estruturais, mas não tem crise nenhuma.”

A situação atual do parque é realmente lamentável, a equipe de reportagem visitou o local e constatou que zoológico necessita de reformas e que atualmente não tem condição de abrigar animais silvestres, e de grande porte. 

A situação estrutural é ruim: jaulas remendadas, limpeza e manutenção precárias, área social para receber excursões escolares depredados. A imagem que o parque transmite aos visitantes é de abandono.







A equipe conversou com um funcionário que não quis ser identificado com medo de perder o emprego. O mesmo nos relatou que os animais não são maltratados e nos mostrou um vídeo onde ele fazia carinho e interagia com a leoa Helga – o único felino de grande porte ainda vivo no parque. E desabafou:

Jaulas vazias e com péssimas condições, mostra o cenário de abandono no parque.

“Existem alguns movimentos que querem que estes animais sejam transferidos para ONGs, eu não acho justo. Estamos falando de animais senis, que têm hábitos alimentares e comportamentais que só nós conhecemos. Estes movimentos querem tirar os animais daqui, mais se isto acontecer estes bichos irão morrer”.

De acordo com Xavier, o projeto para reforma do parque está em fase de aprovação, desde o início do ano, após a série de denúncias dadas pela mídia. Depois de encerrada esta fase, a prefeitura de Taboão da Serra tem o prazo de 24 meses para executar a reforma.


Placas indicando que o parque passa por reformas


Ambientalistas protestam contra a Prefeitura

Em contrapartida, o movimento “Salve Parque das Hortênsias”, formado por moradores do bairro, afirma que o abandono do zoológico é oportuno para a administração atual e relata que a postura se deve a uma possível especulação imobiliária para o terreno onde atualmente funciona o Parque.

Um morador engajado na causa para salvar o Parque, que não quis se identificar que com medo de represálias, diz que os habitantes de Taboão da Serra, e mais um grupo de ativistas têm o conhecimento de que a prefeitura quer despachar os animais do Parque das Hortênsias para outros zoos ou ONGs, para que o terreno seja desocupado para a construção de empreendimentos imobiliários.

O movimento criou uma página na rede social Facebook, (https://m.facebook.com/profile.php?id=271399042995217) para divulgar informações sobre os protestos que são realizados pelos ativistas e protetores da causa animal, além de publicarem algumas fotos sobre as condições dos bichos que ali vivem.


Página do Facebook revela denúncias contra a Prefeitura de Taboão da Serra, apontando os problemas no parque.

O administrador da página do movimento “Salve o Parque das Hortênsias”, que também não quis se identificar com medo de represálias, e que aceitou ceder uma entrevista via chat do Facebook, destaca também sobre a questão da especulação imobiliária como ponto importante na discussão da manutenção do espaço:

 “O zoológico já foi muito bem administrado com os máximos de cuidado possíveis, já hoje o prefeito Fernando Fernandes quer acabar com o zoológico, mas de forma inesperada (...) ele quer que os animais morram por motivo de descuidado com os animais, ou seja, até não sobrar um animal, arranjar uma desculpa e fazer suas intenções imobiliárias lá.” Além disso, o escritor da página nos conta que nenhum documento sobre a transferência dos animais para outros zoológicos ou ONGs foi apresentado à população.

Diante das denuncias de descaso e abondo do Parque das Hortênsias, o deputado Ricardo Tripoli, coordenador do Grupo de Trabalho de Fauna da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, visitou o local, no dia 16 de janeiro deste ano, e deu a seguinte declaração:

[...] Como Deputado Federal, nosso papel é fiscalizar, nos fazermos presentes e atentos e obter um compromisso político do município, em adequar os espaços e salvaguardar os animais, para dar respaldo às reivindicações do Movimento de Proteção Animal. Percebemos também que coibir a intervenção dos visitantes e o incômodo causado em função de qualquer comportamento, como gritos, arremesso de objetos, etc, faz-se necessário e deve ser agregado à lista de correções a serem estudadas e viabilizadas, e que comporão o relatório técnico que esta sendo elaborado. [...] Sentimos que o Município está preocupado com a repercussão negativa do episódio. É o momento de exigir e auxiliar tecnicamente modificações na forma de condução de manutenção do local, se isto for considerado possível. O vice-prefeito, atual Secretário de Turismo e responsável pelo Parque, como foi recém-empossado na função, ainda está se inteirando dos problemas, todavia intenciona realizar uma consulta pública para discutir a vocação do Parque. [...]

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Taboão da Serra, em 4 de abril, para que algum responsável se pronunciasse sobre o caso. Fomos atendidos pela assessora de imprensa do vice-prefeito do município, Vera Rodrigues, que solicitou um e-mail com a pauta para que fosse agendada a entrevista com secretário de cultura, mas até a data que foi proposta a realização de uma entrevista, não tivemos resposta.


ONDE FICA
SERVIÇOS
SOBRE O FUNDADOR DO PARQUE
O Parque das Hortênsias está localizado na Praça Prefeito Oswaldo Cesário de Oliveira, 500, Parque Assunção, Taboão da Serra. Próximo à Prefeitura Municipal. Fone: (11) 4787-3791.
O zoológico fica disponível para visitação de segunda á domingo, inclusive nos feriados, das 9h às 16h30. Entrada gratuita e com estacionamento (também gratuito), para aproximadamente 100 veículos. 
Para chegar até o zoo de ônibus, existem cinco linhas circulares pela cidade e partindo do Parque até o Metrô Campo Limpo.
Armando Andrade, dirigiu a cidade de Taboão da Serra em dois mandatos (1977-1981 e 1989-1992), e mantinha um blog no portal “O Taboanense”, contando histórias da cidade, inclusive denunciando a situação atual do parque. Lutou desde 2004 contra um câncer no abdômen, falecendo em março de 2013, aos 73 anos. Seu corpo foi cremado e as cinzas depositadas no Parque das Hortênsias.

*Colaboraram nesta reportagem: Geane Corseiro, Natalia Teles, Marcus Vinícius Garcia, Bruna Farias e Pethalla Karime Brito. Fotos: Marcus Vinícius Garcia